10 de março de 2010 | 18:47

Turismo à vista, sempre



A boa campanha publicitária dando conta da preferência dos turistas pela Bahia estimulou que eu trouxesse a história a seguir, com o objetivo de reparar uma omissão persistente e alimentar a reflexão sobre essa atividade, tão importante para o desenvolvimento do nosso Estado. Entre março de 1987 e maio de 1989, lá se vão 23 anos, o turismo da Bahia foi comandado por Sílvio Simões, que hoje preside o jornal A Tarde. Fui seu diretor de Marketing e Promoções na Bahiatursa, ao lado de Sérgio Borges, diretor de Planejamento, Oswaldo Gomes, diretor Técnico, e Teresa Chagas, nossa diretora de Operações. Luís Bacelar, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Era o Governo Waldir Pires.


Substituíamos a quase 10 anos de ACM/ Paulo Gaudenzi e sua equipe; o mesmo grupo que em 1991 voltou à direção do turismo baiano e permaneceu até 2007, quando Domingos Leonelli se tornou Secretário do Turismo, no atual Governo. Saravá.Demos a nossa contribuição. Sérgio Borges coordenou e deixou pronto o Plano Diretor Turístico da Bahia, além de fazer com grande sucesso, ao lado de dona Yolanda Pires, a Feira do Interior - um encontro de cidadania, festival cultural e integração democrática de todo o Estado, em Salvador. Não sei porque acabou?! E por quê não volta?!


Teresa Chagas nos deu uma grande aula de educação e gentileza, aproximando profissionalmente o empresariado do setor da “turma da esquerda”, que éramos nós. Organizou e agitou o Turismo da Melhor Idade. O jornalista Oswaldo Gomes, nosso diplomata, fazia das tripas coração, quase literalmente, para orientar os relacionamentos da empresa diante da Torre de Babel que era aquele momento político da Bahia. Fim da ditadura, ressentimentos brutais, feridas abertas. As pessoas mal se conheciam no novo governo. E nós precisávamos produzir.


Sílvio comandou a estruturação do trabalho. Organizou e deu transparência à administração. Estabelecemos uma direção coletiva. Mesmo olhando a linha do tempo é muito difícil se ter idéia do que significou substituir o método vertical e impositivo - pro bem e pro mal - que havia, por um novo modelo de gestão. Encontramos o apoio de um belo quadro técnico. Na Diretoria de Marketing respeitamos e mantivemos a liderança operacional de Luis Carlos Zart, Tânia Marizete, Simona Gropper, Tamir Drummond, Antonio Miranda e tantos outros. Apresentamos o Plano de Marketing Turístico. Organizamos e participamos de 21 eventos internacionais em 20 meses, alguns ao lado da Embratur, outros de responsabilidade exclusiva.


Sílvio deu um chega prá lá na reserva de mercado e da informação privilegiada de alguns e trouxe para a Bahia o El Mercado, o encontro de compradores do destino América do Sul, o mais importante do mundo à época. Durante 15 dias, os maiores empresários da Europa, Ásia e das Américas - operadores, hoteleiros, transportadores, investidores e afins - conheceram o nosso paraíso, in loco. A Bahia, enquanto produto turístico, abriu-se profissionalmente para o mercado mundial.


Realizamos a Jornada Cultural Bahia em La Ricoleta, em Buenos Aires. Levamos 45 artistas; uma mostra de cinema baiano “De Glauber aos nossos dias”, organizada por Guido Araújo; o balé folclórico de Emília Biancardi - acabou por quê? -; 7 shows em praça pública, com Margareth Menezes e Jerônimo, vistos por mais de 50 mil argentinos; exposição de artistas plásticos contemporâneos e muito produto turístico em work-shops durante 15 dias para operadores, agentes de viagem e hoteleiros que se deliciaram com acarajés e outros quitutes baianos fartamente servidos.


Teve o primeiro road-show do nosso turismo na Alemanha, levando os empresários locais para negociar diretamente com 250 agentes e operadores germânicos que fizeram e fazem história aqui, investindo principalmente no Litoral Norte. Como esses, são muitos os casos significativos.


Mas turismo é ação continuada. Educação, saúde, segurança, lazer, tecnologia, cultura em todas as suas formas, ecologia e participação da sociedade . Precisamos de receptivo qualificado, transporte, hotéis modernos, um calendário de eventos anual profissionalizado, que nos liberte do monocórdio carnaval.


Se para qualquer destino o turismo é fundamental, para a Bahia é obrigatoriamente fundamental. Não podemos nos contentar com os fluxos atuais - pesquisas imprecisas indicam a visita/ano de aproximadamente 400 mil turistas internacionais. Temos todas as condições, aproveitando a Copa do Mundo de 2014, de fazer do turismo a maior indústria da Bahia. Podemos montar um plano ousado, com metas arrojadas e fazer nos próximos quatro anos, com o menor investimento entre as atividades econômicas, uma verdadeira revolução, com conseqüências auspiciosas no trabalho, na educação, na vida da Bahia.



Postado por Edson Barbosa

Comentários

  • 14/05/2010, 13:10
    Ariel Figueroa disse:

    Amigo Edson gostaria caso você tenha o endereço da Tânia Marizete.
    Grato

    • 17/05/2010, 09:46
      Malu Oliveira disse:

      Edson sugere que você entre em contato com a Bahiatursa para conseguir o contato de Tânia.

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