16 de junho de 2009 | 18:32

Blogs, Twitter e os governos


Desde a campanha de Barak Obama à presidência dos Estados Unidos, no ano passado, as mídias sociais, principalmente o Twitter, se tornaram as panaceias para se comunicar com internautas, especialmente os jovens. Ter uma página e usar blogs ou o microblog para divulgar informações ou mobilizar pessoas, para qualquer causa, passou a ser considerado essencial. Ou você tem blog ou está fora. Ou passa o dia twittando ou não é ninguém.

No Brasil, as novíssimas ferramentas de comunicação chegaram primeiro às empresas privadas, ávidas por encontrar estratégias de levar suas mensagens e produtos a todos os consumidores e formadores de opinião. Um pouco atrasados, os governos e políticos acordaram agora e correm para recuperar o tempo perdido, na tentativa de trilhar o caminho de Obama, ganhando adeptos e apoios políticos e institucionais.

Nem todos demoraram tanto, claro, para acordar: os governos de São Paulo e da Bahia, por exemplo, já colocam mensagens no Twitter há algum tempo, chamando para as notícias de seus sites. Mas o certo é que a maioria só agora pensa no assunto, como a comunicação do Governo Federal, que está planejando lançar um blog e abrir uma página no Twitter.

Até aí, extremamente positivo que a comunicação pública esteja cada vez mais próxima da modernidade e da inteligência do que do velho e cansativo release ou da propaganda de promoção pessoal. Mas a questão central a que todos precisam ficar atentos é que não basta as ferramentas serem novas, o conteúdo da comunicação também precisa ser.  Fazer um blog para postar releases é tão inútil quanto distribuí-los por e-mail ou fax. Encher o Twitter de títulos de releases, com o máximo de 140 caracteres exigidos, é o mesmo que colocá-los em um site do governo: não vão atrair a atenção.

Mais do que usar ferramentas novas, a comunicação pública precisa se renovar. Aliás, não somente a comunicação pública. Recentemente, durante o 12° Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, em São Paulo, uma das perguntas feitas a um dos palestrantes pela proprietária de uma empresa de assessoria de imprensa chegou a ser constrangedora: “Deve-se ou não mandar releases para os blogueiros?”. Ora, se encaramos as novas ferramentas simplesmente como mais um canal para distribuir as mensagens tradicionais das empresas e governos, a comunicação, seja ela corporativa ou pública, não avançará na conquista dos novos públicos nem cumprirá seu papel de mudar a vida das pessoas ou mostrar como a vida das pessoas está ou pode ser mudada por instituições, empresas, governos, produtos etc.

Sem uma completa reciclagem de corações e mentes, lançar um blog, estar no Facebook ou twittar não nos fará avançar neste campo. Mas é claro que não se pode ficar fora…


Postado por Malu Oliveira

Comentários

  • 05/07/2009, 11:48
    silvia disse:

    muito simples e muito boa a reflexão da Malu Oliveira. De fato o pensamento digital ainda está insipiente na área governamental.

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