Posts em agosto de 2009
Blog do Lula estreia segunda-feira - sem o Lula
Depois de muitas promessas, está marcada para a próxima segunda-feira (31/08) a estreia do Blog do Lula. Melhor seria dizer o blog do Planalto, pois o presidente não deverá escrever nem aparecer. Pelo menos não está previsto inicialmente. Será um grupo de jornalistas da Secretaria de Comunicação quem se encarregará de postar as notícias. Também não será permitido postar comentários, prática habitual e uma das principais características da ferramenta blog.
Primeiro, não chega a ser estranho o presidente não escrever pessoalmente. Barack Obama, de quem o mundo não se cansa de falar como o político precursor no uso das novas mídias, também não escreve no blog da Casa Branca, só que este não se chama Blog do Obama. Da mesma forma, Obama também não escreve no site my.barackobama.com/blog, que lhe deu sustentação durante a campanha. Este blog pertence à entidade Organizing for America, que dá apoio às políticas do governo e publica artigos de seus apoiadores país afora.
O blog de Lula também não permitirá comentários dos internautas. Também não se pode criticar por aí, pois o blog da Casa Branca não está aberto a opiniões de leitores.
Mesmo que Lula esteja seguindo o figurino de Obama no uso da Internet, os dois fatos acima já são, por si só, pontos negativos para os dois. Melhor seria chamar os blogs de área de notícias dos sites, abrindo canais para vídeos e podcasts. Usar a ferramenta blog sob a alegação de que este é o canal de comunicação com os jovens não é estratégia neste caso, visto que os jovens dificilmente vão querer entrar em blogs que têm apenas notícias oficiais, nenhuma humanização e ainda sem a possibilidade de opinar sobre o que está sendo postado.
Este é um tema sobre o qual cabe a todos os políticos e estrategistas de comunicação refletir, especialmente quem pensa em utilizar a Internet para fazer campanha política em 2010. Estar na Internet é importante para se comunicar com os 65 milhões de brasileiros que hoje acessam a web. Ter site, blog, facebook, orkut, twitter etc. também é essencial. Mas precisamos avançar na forma de nos relacionarmos nas novas mídias, em vez de apenas transferirmos releases para um novo canal.
Para mais comentários sobre o Blog do Lula, lei matéria de Rodrigo Martins, no Link, o site de tecnologia do Estadão,
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Senado adia mais uma vez votação da reforma eleitoral
Os integrantes das comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado adiaram para a próxima terça-feira a votação da reforma eleitoral, que precisa entrar em vigor até o dia 3 de outubro para valer no ano que vem. O adiamento ocorreu depois da leitura do parecer dos relatores das duas comissões - Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE). Os relatores analisaram 74 emendas ao projeto da Câmara que alteram as regras eleitorais.A informação é da Agência Senado, com reportagem de Valéria Castanho. Leia os principais trechos da reportagem:
Entre as principais alterações propostas pelos senadores relatores está a permissão para veiculação de propaganda eleitoral paga na internet. A proposta da Câmara autoriza os candidatos, os partidos políticos e as coligações a explorarem a internet nas campanhas eleitorais, como meio de comunicação com o eleitor, mas proíbe a veiculação de qualquer tipo de propaganda paga por esse meio. Também não autoriza a realização de propaganda, mesmo gratuita, em portais noticiosos e informativos da internet.
A emenda de Eduardo Azeredo e Marco Maciel autoriza propaganda paga na internet, mas restringe esse tipo de publicidade aos sites voltados à veiculação de notícias, mantendo a proibição de propaganda em sites de pessoas jurídicas cuja atividade final não seja relacionada à oferta de serviços de informação pela internet.
Com o objetivo de garantir critério de responsabilidade editorial ao conteúdo pago, com exceção da propaganda eleitoral, outra emenda propõe vincular a propaganda paga a sites e páginas da internet cujo conteúdo seja gerado ou editado pelo próprio provedor. O objetivo, segundo os relatores, “é impedir a contratação abusiva ou indevida de pessoas naturais que poderiam usar páginas pessoais para fazer apologia a candidatos e partidos”.
O projeto da Câmara também permite a utilização da internet para facilitar o procedimento de doações de pessoas físicas, que passarão a preencher um formulário eletrônico, possibilitando também a doação por cartão de crédito. Mas o parecer elaborado por Azeredo e Maciel sugere também a inclusão do telefone como ferramenta adicional para facilitar as doações.
Enquanto o Senado não decide como ficará o uso da Internet, em 2010, dê sua opinião na enquete do Blink, no menu à direita.
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Anunciantes dos EUA boicotam apresentador que chamou Obama de racista
Uma campanha de boicote publicitário contra apresentador de TV que chamou o presidente Barack Obama de racista já mobilizou 36 grandes empresas americanas, entre elas Johnson&Jonhson, Sopas Campbell e AT&T (telefonia). Capitaneado pela ONG Color of Change, o boicote é contra o programa do apresentador Glenn Beck, da Fox News, que no final de julho, durante um debate sobre a prisão de um professor negro, acusou o presidente de ser racista por ter interferido no desfecho do caso - Obama criticou a prisão e, no final, chegou a convidar o professor e o policial para uma cerveja na Casa Branca.
Independente dos erros e acertos de Obama no caso, o certo é que tal boicote é algo impensável no Brasil. Aqui, dificilmente uma ONG conseguiria tal respaldo e divulgação, inclusive em sites como The Huffingtonpost, muito menos a adesão de empresas deste porte. O vídeo com o comentário já foi visto por mais de 41 pessoas no Youtbe e as declarações das empresas que aderiram ao boicote estnão no post que James Hucker, fundador da ONG, escreveu no área de blogs de mídia do The Huffingtonpost.
No Brasil, isso parece impossível. Pelo menos não tenho notícia de algo semelhante ter acontecido envolvendo grandes empresas e um canal de TV poderoso, como a Fox.
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Descubra Sergipe na baixa estação
O Governo de Sergipe inicia nova empreitada para atrair turistas ao Estado durante a baixa estação. A campanha criada pela Link tem como foco as famílias da região Nordeste, além de mercados como Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mostrar que Sergipe tem tudo o que se procura em um destino, sem as tradicionais dificuldades nos traslados e sem o excesso de pessoas.Os anúncios estão sendo publicados em jornais e revistas de circulação regional e nacional.
Gostou? Então venha você também descobrir Sergipe.
Ficha Técnica
Direção de Criação: Caco Mesquita
Diretor de Arte: Alexandre Perotto
Redação: Léo Libório
Atendimento: Nívia Lima
Aprovação: José Roberto de Lima Andrade/ Larissa Porto
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Olho no Senado: primeira votação da reforma eleitoral foi prometida para quarta-feira
O Senado está prometendo votar a reforma eleitoral, que finalmente permite o uso da da Internet nas campanhas políticas, na próxima quarta-feira, dia 26, segundo noticiou a Agência Senado. Por enquanto, a votação será nas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática. A partir daí, o projeto será enviado para o plenário. Para entrar em vigor nas próximas eleições, o projeto tem de ser aprovado no Senado e enviado para a Câmara, para votação final (em caso de emendas) até o dia 30 de setembro. Até a manhã desta segunda-feira, nada menos de 38 emendas haviam sido apresentadas pelos senadores.
É esperar para ver se eles vão cumprir o prazo. Caso a reforma não seja aprovada, em 2010 teremos uma eleição tão limitada quanto a de 2008, em que era permitido apenas site do candidato e e-mail marketing. E eleição sem uso amplo da Internet, incluindo as redes sociais, é eleição sem participação dos jovens. Será que é isso que os nossos parlamentares querem?
Enquanto os senadores não votam a proposta de reforma, você pode indicar como quer que seja a Internet nas eleições na Enquete do Blink, aí ao lado. Vamos enviar o resultado para o e-mail dos parlamentares nas duas casas, antes da votação em plenário.
Participe você também!
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Internet e eleições: estudo feito na Alemanha confirma papel da web nas campanhas políticas
Pesquisa divulgada esta semana pelo instituto de pesquisas de opinião Forsa e a Associação Alemã das Empresas de Informação, Telecomunicação e Novas mídias (Bitkom) comprovou na Alemanha o que os americanos já tem certeza e o mundo inteiro discute: não se pode pensar em campanha política sem Internet. Principalmente quando o foco da comunicação são os jovens de 18 a 29 anos.
Leia reportagem sobre a pesquisa publicada no site em português da agência alemã Deutsche Welle e depois vote na ENQUETE DO BLINK e dê sua opinião sobre como nós, brasileiros, devemos usar a Internet nas eleições de 2010.
Internet tem papel fundamental em campanhas políticas, conclui estudo
“Um estudo representativo apresentado nesta quarta-feira (19/08) pelo instituto de pesquisas de opinião Forsa e a Associação Alemã das Empresas de Informação, Telecomunicação e Novas Mídias (Bitkom) demonstrou o papel fundamental da internet principalmente entre jovens eleitores.
Na faixa etária entre 18 e 29 anos, a internet é considerada por 77% dos entrevistados a fonte mais importante de informação política. Do total de entrevistados, 45% disseram se informar sobre política pela internet, embora as mídias tradicionais - televisão, jornais, rádio e conversas pessoais - continuem a ser as mais importantes, nesta ordem.
Mas, apesar de ainda ocupar o quinto lugar na preferência do total de entrevistados, a internet é considerada um meio decisivo em uma campanha eleitoral pela metade dos eleitores. Ou seja: mesmo eleitores que não navegam com frequência na internet lhe conferem uma importância significativa.
Rede social na internet
Redes sociais virtuais, como Facebook ou StudiVZ, tornam-se cada vez mais importantes, assim como fóruns e comentários em blogs e no Twitter. Segundo o presidente da Bitkom, August-Wilhelm Scheer, eles ajudam a conhecer melhor políticos e candidatos.
“O eleitor quer conhecer a trajetória política de alguém que concorre à eleição. De onde ele vem? É possível confiar nele? Que ligações ou atividades paralelas possui? Elas influenciam, de alguma forma, suas opiniões?”, explica Scheer.”
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Enquete: Internet e eleições. Vote aqui no Blink!
O Blink - o blog da Link - inicia hoje sua seção de enquetes, para analisar temas de interesse da comunicação. Nosso primeiro tema é Internet nas eleições, assunto que está em discussão no Senado como parte da reforma eleitoral. A reforma, aliás, corre sério risco de não ser aprovada a tempo de valer para 2010, caso não seja votada até o final do mês.
Como voce acha que deve ser a Internet nas eleições? Vote na ENQUETE DO BLINK e pressione seu senador a votar logo o projeto que está está parado desde julho.
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Mídias sociais: muita propaganda, pouco relacionamento
O uso das mídias sociais - blogs, micro blogs, sites de relacionamento etc. - é hoje um dos temas mais debatidos mundo afora. Dos sites de publicidade aos livros, passando pelos jornais e pela TV, não se fala em outra coisa hoje. Inclusive nas próprias mídias sociais. Como usar, para que usar, como tirar o melhor proveito, o que não fazer e por aí afora. Estamos impregnados de mídia social na publicidade e nas relações públicas e começamos a engatinhar no seu uso na comunicação pública e política.
Uma interessante pesquisa que acaba de ser conduzida pela comunidade Social Media Today e publicada no site .Biz, indica, porém, que a realidade ainda está distante do potencial que as mídias sociais oferecem. Ao contrário de relacionamento, o que as empresas ainda mais fazem é usar os novos canais como veículos de publicidade e Relações Públicas.
A pesquisa mostra que 71,8 % das empreas usam as mídias sociais para branding, 70,5 para trocar informações e 65,8 para RP. Pouco mais de metade aproveita as redes para conhecer mais o consumidor e apenas 25% como suporte de vendas. Já as empresas pequenas utilizam mais os recursos das mídias sociais do que as grandes empresas, que dispõem de mais verbas de marketing para utilizar múltiplas ferramentas.
Um dos dados mais auspiciosos (para usar uma palavra na moda) da pesquisa é que o relacionamento e o engajamento são os próximos passos que boa parte das empresas pretendem dar no uso da mídia social em seus negócios. Embora trate de empresas, a pesquisa cai bem se aplicada, empiricamente, ao que ocorre hoje também na comunicação pública e política: muita divulgação e pouco relacionamento; muito discurso e pouca troca de ideias. Uma das razões para isso ainda é o temor de ouvir o consumidor ou contribuinte, no caso dos governos. Em síntese, o medo da crítica e para onde vai uma empresa ou governo quando deixa seu público soltar o verbo.
Mas como no Brasil estamos engatinhando nas mídias sociais - e correndo para alcançar, no caso da política, os Estados Unidos -, com certeza vamos dar o mesmo salto no mesmo tempo. Estamos em fase de aprendizado e tudo é muito novo, também para os que trabalham com mídias sociais quanto para aqueles que as utilizam.
Para ler a íntegra da pesquisa ou fazer download do arquivo em pdf, acesse The coming change in social media business application
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MEC no Twitter: transparência
Aos poucos a comunicação das diferentes instâncias de governo no Brasil começa a aderir às mídias sociais e às possibilidades de interação com o público que elas permitem. E o Twitter é hoje a mídia social que mais tem atraído a atenção de ministérios, governos estaduais e prefeituras, além de deputados e senadores que não têm medo de enfrentar os eleitores. Uma das mais recentes - e mais importantes - adesões ao Twitter foi a do Ministério da Educação. Desde a semana passada, tudo o que o MEC realiza - programas, resultados, avaliações etc. - pode ser conhecido e acessado a partir dos posts no mini blog.
E o mais importante é que a comunicação governamental no Brasil vem, em média, evoluindo rapidamente, deixando para trás a pecha de chapa-branca, mera promoção de projetos e de pessoas. E o uso das mídias sociais, como o Twitter, só aprimora este processo. Ao postar asnotícias de suas ações e até os vídeos de suas campanhas publicitárias, o MEC, o Ministério da Saúde ou o Governo de Pernambuco, por exemplo, abrem um novo canal para interação com os governantes. Coisa que a mídia tradicional não permite. Embora se coloquem como os fiscais dos governos, jornalistas e veículos de comunicação privados não dão a nós, contribuintes, todas as informações de que precisamos para avaliar o que um governo faz - ou não faz ou faz errado. Muito menos abrem espaço amplo para nossos comentários, críticas, sugestões e aplausos, quando for o caso.
Se não tivermos a oportunidade de saber o que o governo promete e diz que está realizando, como podemos contestar o discurso, caso seja falso, mera propaganda? Se não tivermos acesso aos resultados que o governo diz que alcançou, como contestar e dizer que na minha escola ou no meu posto de saúde isso não aconteceu? Como cobrar eficiência, uso adequado das verbas públicas e seriedade se não sei o que devo cobrar?
Portanto, é nosso dever seguir o MEC e outros órgãos governamentais no Twitter, entrar no site de cada um e conferir se o discurso confere com o que vemos na prática. E caso não seja, temos hoje a oportunidade de nos comunicarmos com outros contribuintes, contar o que sabemos, perguntar o que eles sabem, o que pensam. E isso sem que o governo precise gastar nada além, visto que o uso das mídias sociais e gratuito e basta um clique no mouse para que a informação seja espalhada Brasil afora, das lan houses do sertão aos escritórios da avenida Paulista.
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Só tirar Sarney não resolve o problema do Senado
A crise no Senado entra em um novo capítulo neste final de semana, caso as manifestações “Fora Sarney” previstas para várias capitais tenham sucesso esperado por seus organizadores. Tenta-se, a todo custo, ressuscitar o movimento dos “caras pintadas”, que em 92 ajudou a derrubar Fernando Collor da Presidência.
O que pouco se discute e passa ao largo dos organizadores do movimento é que não basta tirar Sarney para a moralização chegar ao Senado. Embora seja mais fácil elegê-lo como a Geni desta crise, melhor proveito tiraríamos se houvesse uma reflexão sobre o todo - causas e culpados da crise -, único meio de que não volte a ocorrer.
Para isso, vale ler artigo do cientista político Murilo Aragão publicado hoje no Blog do Noblat.
“Decisões equivocadas exaltam ânimos no Senado
Na análise política existe uma disputa entre várias correntes ideológicas. Sem querer mergulhar em um terreno considerado árido para muitos, trago a questão para analisar a crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Ou será a crise do próprio Senado? Na análise política, existe uma corrente em que as pessoas são foco central de estudo. Para outra, são as instituições o ponto principal. Na Arko Advice, empresa especializada em análise de cenários políticos desde a década de 80, a fórmula utilizada incorpora as duas teorias.
Ao levar a reflexão para a crise Senado-Sarney, o entendimento do processo se ancora no exame das pessoas e das instituições, a partir de uma perspectiva histórica. Nessa direção, é natural que a “fulanização” da crise perca força gradativamente, uma vez que é necessário, em primeiro lugar, entender a instituição.
Apesar de a imprensa tratar a crise como exclusivamente do Sarney, ela é, na verdade, do Senado. Pois outros focos do problema estão identificados. O presidente da Casa é apenas parte de um grande mal que afeta uma das instituições mais importantes do Brasil.
Lá, em especial, as relações entre indivíduos e instituição revelam-se doentias. A crise nasce de uma disputa de poder e mostra a face perversa de uma aliança de interesses. Mais do que acusar um ou outro, o problema está no funcionamento do Senado e na relação dos parlamentares com a burocracia interna.
Assim, afastar Sarney e retaliar Arthur Virgilio poderia até mesmo diminuir o incêndio. Mas não será suficiente para arrefecê-lo definitivamente. O fato é que não há uma solução viável de curto-prazo já que a crise apresenta aspectos sistêmicos.
Seus focos estão na administração do Senado, mas refletem no destino de determinados grupos políticos. Para não faltar com a verdade, ela atinge - em maior ou menor grau - quase todos os partidos políticos. A única forma de se obter uma melhoria expressiva na qualidade da instituição é a manutenção do controle - por meio da imprensa e da sociedade organizada - do seu funcionamento.
Na prática, a participação qualitativa da sociedade pode fazer alguma diferença. Porém, não é uma solução de curto-prazo. Não devemos esperar uma elevação do nível da política de uma hora para outra. O Brasil é uma federação onde, em matéria de política, pouco une.
Para piorar, em virtude do excesso de detalhes, faz com que exista grande disparidade. Outro fator que impede uma solução rápida é a fragilidade institucional do Legislativo, muitas vezes considerado, equivocamente, um problema. Além disso, os líderes não conseguem passar credibilidade à sociedade. Fica claro que temos dois patamares de avaliação: as características da instituição e a qualidade das lideranças.
Na política, sempre existe uma elevada dose de risco ao se tomar decisões. Por exemplo, a defesa de Sarney errou ao elevar o tom contra oposicionistas. Errou ainda quando censurou o jornal O Estado de São Paulo. A imprensa, como instituição, se sente diretamente atingida com a decisão do clã Sarney.
Portanto, um ato pode acalmar ou acirrar os ânimos. A escalada de acusações pode prosseguir alimentada por novas denúncias. A macro-tendência indica que a crise deve acabar em uma espécie de recuo generalizado. Mas a essa altura dos acontecimentos, com ânimos exaltados, a incerteza é a única tendência.”
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Reforma eleitoral parada no Senado
Aprovada pela Câmara dos Deputados em julho, a já restrita reforma eleitoral corre cada vez mais riscos de não valer para as eleições de 2010. Não bastassem todas as irregularidades que vêm sendo denunciadas - e tantas outras, provavelmente, que ainda não se sabe -, os senhores senadores tiveram a ousadia de decidir que não vão trabalhar por ora, até que as mudanças pedidas pela oposição na casa aconteçam. Sem entrar no mérito do fora Sarney ou fora Virgílio - quantos mais também deveriam sair, na verdade? -, o problema é que, se a reforma não for votada até o final do mês, não entrará em vigor a tempo de valer para 2010. Sem a reforma, o uso irrestrito da internet continuará proibido. Ou seja: o atraso continuará imperando, do ponto de vista da comunicação, nas eleições.
Não que o uso pleno da Internet e suas múltiplas ferramentas vá ser capaz de definir resultados. Mas quem não souber utilizá-las certamente ficará distante de um público cada vez mais importante e difícil: os jovens, principalmente os bem jovens, que vão votar pela primeira vez, e há muito vivem em um mundo com outra linguagem. Quem não falar a língua destas gerações não conseguirá atrair sua atenção, muito menos convencê-las a votar desta ou daquela maneira.
Mesmo que a reforma, do ponto de vista da comunicação, tenha muitos defeitos e falhas, representa um avanço considerável. Tudo bem que os deputados ainda não entenderam a Internet e ache que ela não passa de uma mídia como a TV e o rádio - como se houvesse, inclusive, uma única Internet. Melhor isso do que ficar sem ela. E ninguém que tenha um mínimo de seriedade política pode admitir que o Brasil ande ainda mais para trás na comunicação política.
E processo político que se preze não pode prescindir da opinião e da participação dos jovens. Sob pena de representar apenas uma parte da população. Ou será que é isso mesmo que querem os nobres (costumava-se chamá-los assim antes, mas agora o termo nem cabe mais) senadores? Evitar a participação dos jovens, para que nada se renove e eles possam continuar a ser chamados de nobres?
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Agências de RP ainda engatinham nas redes sociais
Estudo divulgado hoje mostra que as empresas de RP no Brasil ainda engatinham no uso das mídias sociais nas estratégias de comunicação para seus clientes, mas que aos poucos a modernização chega a quase todas. Além disso, parece ainda haver um “choque de gerações” dentro das empresas, o que dificulta o avanço rápido do uso da internet e redes sociais.
A íntegra da pesquis, patrocinada pela Abracom (Associação Brasileira das Agencias de Comunicação) está no site Nós da Comunicação.
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Debate sobre pobreza: um prato cheio que não apetece a imprensa
Durante 3 dias na semana passada (5 a 7), mais de 600 estudiosos ou gestores públicos, representando 36 países, estiveram reunidos em Brasília no I Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social. Organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o objetivo do simpósio era discutir alternativas para o combate à pobreza no pós-crise, ouvindo experiências de outros países pobres ou em desenvolvimento.
Apesar de reunir especialistas de várias matizes políticas e de capacidade reconhecida internacionalmente neste campo, o simpósio foi ignorado pela mídia brasileira. Quer dizer: mereceu algumas menções pelas falas inicial e final de Lula e por uma ou outra gracinha dita pelo presidente. E só.
E claro que um simpósio deste tipo não chega a ser palatável para o público leigo e dificilmente rende leads sensacionais e manchetes para o dia seguinte. Mas tal panorama do que se faz no mundo para combater a pobreza deveria merecer reflexão e análise por parte da mídia dita séria e voltada para a discussão dos grandes temas nacionais.
Longe de querer sugerir que a mídia faça uma cobertura de todo o encontro e seus painéis - embora isso frequentemente ocorra com simpósios econômicos ou em áreas de interesse dos donos dos jornais. Mas se tivessem dedicado um mínimo de atenção ao simpósio, nossos jornalistas poderiam, por exemplo, ter facilmente desconstruído alguns discursos do governo - ou pelo menos relativizado os avanços volta e meia anunciados.
Um único exemplo? Ricardo Paes de Barros, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) comprovou que a renda dos muito pobres parou de cresceu no Brasil a partir de 2004. “Os pobres continuam melhorando, mas os muito pobres pararam de melhorar”. Outro ponto diz respeito à diferença entre os idosos e as crianças. “Enquanto a pobreza é praticamente extinta entre os idosos, ela dobra entre as crianças”, afirmou ele. Isso sinaliza, segundo o pesquisador, que o enfoque da política pode precisar de ajustes.
Embora não sejam dados novos, o que foi apresentado por Paes de Barros daria um bom lead para desmerecer o evento organizado pelo governo. Sem falar no economista britânico Guy Standing, professor de economia da Universidade de Bath (Reino Unido) que não acredita no sucesso total do modelo do Bolsa Família e se aliou ao senador Eduardo Suplicy na defesa de um renda mínima sem condicionalidades - projeto que ele testa na África e que garante dar bons resultados.
Ou seja: um debate que renderia, no mínimo, um caderno ou reportagem especial do tipo que volta e meia os jornais fazem para debater temas candentes.
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TV Brasil precisa ser conhecida do público a que se destina
Desde seu lançamento, há cerca de um ano e meio, a TV Brasil tem gerado controvérsias em vários setores formadores de opinião no Brasil. As principais críticas têm surgido na mídia e entre alguns políticos de oposição ao governo, embora a TV pública se pretenda, nos moldes da BBC inglesa ou da PBS americana, uma TV de todos, sem partidarismos ideológicos e políticos. Depois que teve seu fechamento pedido em editorial da Folha de S.Paulo, a presidente da TV Brasil, Tereza Cruvinel, publica hoje no Correio Braziliense artigo em que rebate as principais críticas à emissora e defende sua continuidade.
Trata-se de um artigo que merece reflexão, principalmente porque seus argumentos têm origem no fundamento em si da existência de uma TV pública, que não pode ser comparada, para efeito de avaliação, com as TVs comerciais. Isto posto, é sempre bom lembrar que a busca pela qualidade deve nortear o trabalho da TV pública - de todas as TVs públicas - e que a qualidade sempre é recompensada com audiência, mesmo que sua conquista seja um árduo trabalho de educação e reeducação.
E neste caminho de construção de conteúdo e audiência, uma TV pública não pode abrir mão do marketing, da correta dfivulgação de seus atributos. Pois é difícil assistir a uma emissora que não se saber que existe, que tipo de programação exibe e a importância desta programação para a educação do País. Talvez resida aí parte do problema da TV Brasil hoje: ainda não conseguiu ser conhecida por seu público, dada a pouca divulgação institucional de sua existência e de sua programação. Afinal, não se pode esperar que conte com a mesma divulgação que a mídia impressa dá aos canais comerciais, muitos deles parte de grandes corporações. Concorrer com a mídia tradicional, com a tradição das novelas ou programas de auditório não é uma tarefa fácil. Que o digam os canais, mesmo comerciais, que não estão nos primeiros lugares de audiência.
A TV Brasil, a democracia e a fracassomania
Tereza Cruvinel
“Para um jornalista, escrever depois de algum silêncio tem sabor de volta, reencontro. Oferece-me o Correio Braziliense a oportunidade de escrever artigo mensal no jornal em que teve início minha carreira profissional dedicada a revelar e desvendar, na mídia impressa e na televisão, labirintos e enigmas da política nacional nos últimos 25 anos.
Apesar da tentação e dos apelos de ex-leitores do meu tempo de colunista, não tratarei de política: um zelo para que a opinião pessoal não tisne o compromisso integral com a implantação do Sistema Público de Comunicação, projeto democrático e necessário. Abordarei outros tantos temas da atualidade, começando pelo da própria TV Pública.
O Brasil gosta de jabuticaba e outras frutas que só dão aqui. Algumas venenosas. A TV Pública é instituição que viceja nas melhores democracias, mas para os críticos e céticos aqui, ela não pode dar certo. Deve ser fechada, pregaram dois jornais paulistas. Os ataques combinam má-fé, desinformação, ressentimentos e motivações políticas, com cerejas de fracassomania. Mas também na semana passada surgiu a SOA-TV Brasil, sociedade de amigos da televisão pública.
Um dardo frequente é o de que a TV Brasil não mostrou ainda uma programação de qualidade. Há 18 meses, um piscar de olhos no tempo televisivo, a emissora entrou no ar com a programação herdada de suas ancestrais estatais. A TV Nacional nada produzia, limitando-se a exibir conteúdos de terceiros. A TVE do Rio, vestindo um marco regulatório indefinido, legou bons programas numa grade heterogênea. Desde então, a TV Brasil vem renovando essa programação, com destaque para a implantação de um jornalismo que deu cabo ao temor chapa-branquista.
É “tecnicamente correto e politicamente isento”, declarou o Conselho Curador. Outros programas, focados na diversidade cultural, renovaram parcialmente a grade. Agora, no final de agosto e setembro adentro, dezenas de novos conteúdos entrarão no ar. A grade infantil ficará mais rica com o ABZ do Ziraldo; a família ganha o Papo de Mãe; os jovens, a revista cultural Paratodos, entre poucos exemplos do que será lançado. Produzir para televisão demanda tempo e, no caso da TV Pública, rigor com a legalidade e a transparência dos processos. Por isso a adoção de procedimentos como o Pitching e o cadastro público de filmes e obras de terceiros.
Subtraída a acusação de chapa-branquismo, restou a cobrança de audiência. Antes de falar de números, registre-se que, em todo o mundo, a audiência da TV Pública - justamente por ser ela destinada a fornecer conteúdos complementares e diferenciados - não deve ser comparada à das TVs comerciais, embora seja criminoso dizer que a audiência é secundária. Deve ser buscada, sim, mas preservando a natureza e a qualidade dos conteúdos.
Nunca se pregou, felizmente, o fechamento da TV Cultura de São Paulo, que tem programas de qualidade e audiência bastante inferior à das emissoras comerciais, mas dentro dos padrões da TV pública no mundo. Nos EUA, o sistema PBS, criado nos anos 60, apresenta média de 1,7%, mas seus conteúdos infantis são internacionalmente recomendados e seu jornalismo tem alta credibilidade interna.
Sobre números: primeiro, não há instituto que traduza hoje a audiência real da TV Brasil. O Ibope pesquisa apenas as praças de Brasília e Rio de Janeiro, onde há canais analógicos abertos. A TV Brasil integra o line-up das operadoras de TV paga e seu sinal está disponível para os 60 milhões de brasileiros que veem TV por parabólicas, a Banda C. Nenhum instituto pesquisa esse universo, em que entrou agora a MTV, compensando a falta de sinal aberto.
Ademais, a programação da TV Brasil responde hoje por 64,60% dos conteúdos exibidos por TVs educativas e universitárias abertas país afora. Em dezembro de 2007, a antiga TVE fornecia apenas 37,18% desses conteúdos. Alguém pesquisa a audiência que tem nos estados? Não.
Um pouco de exatidão: os relatórios do Ibope mostram que não há programa da TV Brasil estacionado em traço, expressão brandida como delito. Alguns, que precisam e serão substituídos, têm mesmo audiência inferior a 1%. Mas não traço. Outros, sejam remanescentes, como o longevo Sem censura, de Leda Nagle, ou novos, como o De lá para cá, de Ancelmo Gois, têm índices entre 1% e 3% de audiência, alcançando share (porcentagem entre televisores ligados) de 4% a 5%. Não estamos conformados. Audiência é conquista cumulativa e estamos acumulando.
A TV Brasil, semente da Constituinte na refundação da democracia, está sendo erigida com muito esforço, alegria e honestidade. Não sucumbirá à sinfonia dos ressentidos ou à fracassomania.
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São João de Pernambuco é prata no Colunistas Norte/Nordeste
A Campanha de São João feita pela Link para o Governo de Pernambuco levou o troféu Prata na categoria Turismo, Transportes e Diversões Públicas do Prêmio Colunistas Norte e Nordeste de 2009.
Com três filmes de 30 segundos, o objetivo da campanha foi mostrar na televisão e no cinema aspectos pitorescos do São João em Pernambuco. O pano de fundo foram os festejos tais e quais são conhecidos, como o arraial, a quadrilha, as bandeirolas e balões, a fogueira. No detalhe, as peças mergulham nos ritmos, na culinária típica e nas crenças populares.
A linguagem foi picaresca, sintonizada com o bom humor presente nas quadrilhas e casamentos matutos. Mais uma vez o romantismo esteve presente no par central de atores, que fez às vezes de fio condutor dos comerciais. A direção foi do premiado cineasta Paulo Caldas (Baile Perfumado, Deserto Feliz), pernambucano por adoção.
Ficha técnica:
Direção de Criação: Tiago Araripe.
Redação: Bruce Silvestre e Tiago Araripe.
Direção de Arte: André Venâncio e Marcelo Barreto.
Fotografia/Ilustração: André Venâncio.
Produção de RTVC: Vânia Gomes.
Produtora de Filme: Urso Filmes.
Produtora de Áudio: Muzak.
Direção do Comercial: Paulo Caldas.
Mídia: Tatiana Passos.
Atendimento: Sued Oliveira.
Aprovação: Evaldo Costa.
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Campanha do MEC orienta estudantes sobre a gripe A
O Ministério da Educação orienta estudantes de todo o Brasil sobre como proceder para evitar o contágio da Gripe A (H1N1). O vídeo, produzido pela Link, está no ar em todas as emissoras de TV do país.
Veja o vídeo
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Mário Cravo Neto no azul do céu
Soube da morte de Mariozinho - como será sempre para os que tiveram o prazer de conhecê-lo de perto - no momento em que me deleitava com um azul infinitamente belo desse domingo Dia dos Pais. Azuuuuuuuul do céu, perceptível apenas no diafragma de Deus, na retina da alma. Lembrei-me de tantos azuis, de tantas das suas fotos de infinitas cores e entendi por que se fez desse azul esse domingo que ele escolheu para nos deixar: é lá que ele está agora, no azul do céu, eternamente a nos fotografar.
Postado por Edson Barbosa | Nenhum comentário | Clique para comentar
Morre Mário Cravo Neto, um dos mais importantes fotógrafos brasileiros
O Brasil perdeu neste domingo (09/08) um dos mestres da fotografia. Conforme noticiou a Folha de S.Paulo, morreu em Salvador Mario Cravo Neto, aos 62 anos, que se consagrou com trabalhos - também se dedicou à escultura - voltados para o universo afro-cristão, com influências tanto dos mitos religiosos do candomblé quanto da cristandade.
Mário Cravo Neto iniciou-se na arte da fotografia e da escultura em 1964. Estudou na Art Student’s League de Nova Iorque (1969-1970) e participou da 11ª., 12ª., 13ª.,14ª.,17ª. Bienal Internacional de São Paulo. Em 1980 e 1995 recebeu o prêmio de Melhor Fotógrafo do Ano da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1996 o Prêmio Nacional de Fotografia da Funarte e em 2004 o Prêmio Mario Pedrosa da Associação Brasileira de Críticos de Arte.
Em 1968, quando se mudou para Nova York, ele realizou uma série de fotografias em cores ‘On The Subway’ e produziu também suas primeiras esculturas de acrílico. Entre os livros publicados estão “Ex-Votos”, 1986, “Salvador”, 1999, “Laróyè”, 2000, “Na Terra sob Meus Pés”, 2003, e “O Tigre do Dahomey - A Serpente de Whydah”, 2004.
O video abaixo traz uma mostra do trabalho de Mário Cravo Neto
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Crise da mídia ou da democracia?
Em artigo publicado hoje no site Guia Global, o sociólogo Emir Sader classifica a atual crise do Senado como uma crise uma crise da mídia brasileira, igualada aqui a todas as oligarquias que tentam sobreviver aos novos tempos. Concorde-se ou não com esta opinião, trata-se de um ponto de vista para reflexão.
A crise da mídia e a democracia
Por Emir Sader
“A inquestionável crise da mídia brasileira se choca com um processo de maior democratização da sociedade brasileira o que, por si só, deveria levar a pensar o caráter tanto da imprensa no Brasil, quanto da própria democracia entre nós.
O que está em crise é a forma de produzir notícias, a forma de construção da opinião pública. Seria grave se a dimensão da crise que afeta a mídia refletisse, nas mesmas dimensões, a democracia no Brasil. Ao ler alguns órgãos da imprensa, pode-se ter a impressão que a democracia retrocede e não avança entre nós, que estamos à beira de uma ditadura, ao invés de um processo - lento, mas claro - de democratização da sociedade brasileira.
Cada classe social toma sua decadência como a decadência de toda a sociedade, quando não de toda a humanidade. Neste caso, é uma casta que controlou a formação da opinião pública, de forma monopólica e que, com isso, se considerou depositária dos interesses do país. Derrubou a Getúlio, contribuiu decisivamente para o golpe militar de 1964 e para o apoio a este, uma parte dela tentou desconhecer a campanha pelas eleições diretas, tentou impedir a vitória de Brizola nas primeiras eleições diretas para governador do Rio de Janeiro, apoiou a Collor, esteve a favor de FHC, a ponto de desconhecer a evidente corrupção presente nos escândalos processos de privatização, na compra de votos para a reeleição, entre tantos outros casos. Agora, se coloca, em bloco, contra o governo Lula, o de maior popularidade na história do Brasil, chocando-se assim flagrantemente com a opinião do povo brasileiro.
A mídia tradicional está em crise, a democracia brasileira, não. Porque se amplia significativamente o circulo de produção de opinião, de difusão de noticias, se democratiza a informação e os que são afetados pelo enfraquecimento do seu monopólio oligárquico - em que umas poucas famílias controlavam a mídia - esbravejam. Tentam impedir a realização da Conferência Nacional de Comunicação, convocada para novembro, porque detestam que se debata o tema da democracia e a mídia.
A crise do poder legislativo é parte do velho poder oligárquico, que sobreviveu na passagem da ditadura à democracia, que se vale do fisiologismo para vender seu apoio aos governos de turno. Não por acaso os mesmos personagens envolvidos nas acusações atuais no Congresso apoiariam ao governo FHC e, com o beneplácito da mídia, foram poupados das acusações agora dirigidas contra eles, na tentativa de enfraquecer a base de apoio parlamentar do governo. Enquanto o Brasil se torna mais democrático, com a promoção social de dezenas de milhões de famílias, a estrutura parlamentar reflete o velho mundo oligárquico, similar ao da propriedade da mídia privada.
No momento em que o Brasil precisa de uma nova mídia, uma nova forma de difundir notícias, de promover o debate econômico, político, cultural, a velha mídia resiste em morrer, em dar lugar à democratização que o Brasil precisa. Sabem que a continuidade do governo atual e o aprofundamento dos processos de saída do modelo herdado do governo FHC sepultarão toda uma geração de políticos opositores - derrotados pelas urnas e/ou pela senilidade. Daí seu desespero na luta contra o governo - que conta com 6% de rejeição a Lula, contra 80% de apoio.
A crise da mídia é outro reflexo do velho mundo que desmorona, para dar lugar à construção de um Brasil para todos e não para as elites minoritárias que historicamente o dirigiram.”
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Os prejuízos da comunicação irresponsável
“Coitado do porco!” O comentário da menina Júlia Kiperstok Barreto, 8 anos, filha do diretor de arte da Link Marcelo Barreto, traduz a sensibilidade infantil - quase revolta - diante da irresponsabilidade da mídia em continuar chamando a Gripe A de Gripe suína. O erro vem sendo cometido sistematicamente desde 30 de abril passado, quando a OMS rebatizou a a nova pandemia.
Basta uma pesquisa nos sites de notícias na Internet, por exemplo, para ver que a imprensa erra deliberadamente, visto que sabe da mudança de nome e com certeza de suas razões - escreve-se “gripe suína” (rebatizada Gripe A H1N1). Ok, o nome escolhido pela OMS, baseado na cepa do vírus que provoca a doença, não é de fácil compreensão nem tem boa sonoridade - ingredientes muito caros à forma com que os jornalistas acreditam que deve se falar com o público comum.
Mas a sonoridade e a facilidade de entendimento do nome equivocado têm custado prejuízos grandes a um setor importante da economia nacional: a suinocultura. O consumo e o preço da carne de porco no Brasil e em vários países caíram. Em Pernambuco, por exemplo, a produção diminuiu 30% depois que a nova gripe chegou ao Brasil (JConline). Em São Paulo, o preço da carne de porco caiu quase 50% em nível de produtor (Diário do Comércio).
Pode-se argumentar que o nome antigo pegou, que já está na boca do povo. Mas nunca é tarde para se corrigir um erro. E é o que o Ombudsmann da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins e Silva, vem pedindo há alguns dias, por exemplo, inclusive divulgando publicamente o puxão de orelhas na redação em sua coluna de ontem.
Mesmo que a suinocultura já esteja prejudicada, o que vai exigir investimento dos produtores, suas entidades e até do governo brasileiro para melhorar a imagem do produto, continuar a insistir no erro só aumenta o problema. E com certeza logo virão criticas, da mídia, claro, sobre o gasto com publicidade governamental no exterior para melhorar a imagem da suinocultura. Tudo poderia ser evitado - ou pelo menos corrigido - se a mídia não tivesse optado pelo caminho mais fácil, que é o de não educar o público em nome de seu tradicional “modo” de fazer jornalismo. Que pelo menos a indignação de Júlia se repita entre outras crianças.
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Em Pernambuco, a cultura tem garantia de bom inverno. Chova ou faça sol.
No momento em que o Presidente Lula encaminha para aprovação do Congresso Nacional projeto de lei que institui o Vale Cultura como instrumento de acesso popular aos bens culturais, Pernambuco dá o exemplo ao praticar uma política cultural inclusiva e participativa.
De forma criativa, tirando partido da expectativa que a proximidade do inverno gera no povo nordestino, este anúncio criado para a revista Continente passa a percepção de que, quando se trata de cultura, a “safra” em Pernambuco é sempre boa e independe da meteorologia.
O objetivo é mostrar o investimento que o Governo de Pernambuco vem destinando a eventos marcantes do calendário cultural do Estado, priorizados de acordo com a vocação de cada município. E dá a perceber: a) o caráter inclusivo da programação, em que a grande maioria das atrações oferece livre acesso às pessoas; b) o aspecto democrático da seleção dos projetos, realizados por meio de edital público.
O anúncio divulga os eventos programados para o período do inverno - durante os meses de julho e agosto - e o endereço do site onde todas as programações poderão ser acompanhadas pelo público interessado.
Em tudo é reafirmada a marca “Pernambuco Nação Cultural”, símbolo de qualidade e pluralidade.
Postado por Tiago Araripe | Nenhum comentário | Clique para comentar


